Pandemias e as Consequências na Saúde Mental

Ninguém ignora tudo,
Ninguém sabe tudo.
Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa.
Por isso aprendemos sempre.
Paulo Freire

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E o que fazer na quarentena

Por: Ewerton Henrique O.C. – Estudante do curso de enfermagem da Faculdade UNIP / DF

A história do ser humano e marcada por vários eventos de pestes, epidemias e pandemias, vários relatos durante a antiguidade e também na idade média onde recebia o nome de peste que vem do Latim ‘PESTES ‘que tem o significado para doenças com elevado número de mortalidade, ou que acomete a uma grande população, mas sempre o ser humano cassou formas para poder criar boas praticas para conseguir o controle contra esses eventos. As epidemias e pandemias são problemas que ocorrem em forma coletiva, podendo estar atingindo grupos de todas as faixas etárias, com isso causando alterações na rotina de cada individuo, para um bom combate é necessário conhecimento, e ter planos de como o Estado vai atuar para conter essa crise social. Podemos ter como exemplo a Peste Negra e a Peste bubônica que ocorreu século XIV, causando um grande impacto na Europa.

“Como autodefesa não havia nada melhor que fugir da região antes que ficasse infectada e tomar purgativos de pílulas de aloés, diminuir o sangue pela flebotomia e purificar o ar pelo fogo, reconfortar o coração com o seme e coisas perfumadas e abrandar os humores com terra da Armênia e resistir à putrefação por meio de coisas ácidas. ” (Guy de Chauliac, médico).

Como no relato do médico Guy de Chauliac, o único método conhecido era se isolando das pessoas, que e uma das formas mas eficaz, os primeiros relatos sobre essas praticas de afastamento são em livros mais antigos, tal como a  bíblia onde na referência do livro de Levítico, que viviam também em condições precárias;  quando alguém ficava com alguma enfermidade, deveria ir ao tabernáculo  para ser inspecionado por um sacerdote, e se fosse encontrado alguma doença, deveria ficar isolado por ser considerado uma pessoa imunda, que era um conceito espiritual e sanitário.

E apenas no século XVIII, depois de vários estudos o cientista Louis Pasteur, foi capaz de identificar bactérias e fungos e quais doenças eram transmitidas e contagiosas entre seres humano, através de seus líquidos biológicos.

No século XX, foi identificado três eventos pandêmicos pela influenza A “gripe espanhola” (1918), a “gripe asiática” (1957) e a “gripe de Hong Kong” (1968). Mesmo com vários estudos sobre prevenções de epidemias e pandemia, é possível perceber que é uma ameaça que coloca todos os países em alertas para minimizar os riscos potencias, com planos de preparação, protocolos, orientações sobre situações de emergência, em uma provável pandemia global.

E os seus sistemas de vigilância foram testados entre 2002 e 2003, na primeira pandemia do século XXI, A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que foi causada pelo Coronavírus com o seu inicio na China, e sendo disseminado para vários continentes, provocando pânico com quase 800 mortes. Além das sequelas deixado para os sobreviventes de acordo com um dos poucos estudos, sobre a saúde mental pela revista  East Asian Arch Psychiatry, que fala a respeito do assunto, em uma pesquisa de quatro anos após a SARS em Hong Kong, 42,5% das pessoas que sobreviveram, relataram pelo menos um distúrbio psiquiátrico diagnosticável; e os diagnósticos mas comum foram transtornos de estresse pós-traumático (54,5%) e depressão (39,0%), enquanto 40,3% relataram fadiga crônica.  Em um estudo de três anos, fadiga e morbidades psiquiátricas, incluindo depressão, transtorno de estresse pós-traumático, distúrbio de dor somatoforme e transtorno de pânico, foram comuns em sobreviventes da SARS.

Em Pequim houve relatos de um pequeno grupo de sobreviventes da SARS, onde a mídia relatou que em media 300 sobreviventes na epidemia em 2009 com complicações que lutavam a longo prazo, 80% deles foram obrigados a deixar o emprego e 60% tiveram necrose avascular, fibrose pulmonar ou depressão Nos primeiros anos após o surto de SARS, os relatórios sobre os efeitos posteriores da SARS foram banidos na mídia, esses sobreviventes sofrem de efeitos colaterais físicos e mentais graves, e um dos grandes problemas é a incapacidade funcional de fundos específicos ao seguro publico de saúde.

Podemos perceber que uma pandemia pode deixar várias cicatrizes na população seja ela físicas ou mentais, a poucos estudos dos impactos que afeta em cada individuo e essa falta de atenção, destaca a necessidade de Unidade de Saúde agir de maneira rápida e eficaz durante uma pandemia, e implementar sistemas para o rastreamento sistemático da população afetadas, avaliando os efeitos a médio e longo prazo, para uma melhor assistência para cada indivíduo.

Em um artigo publicado em 18 de fevereiro de 2020 pela revista The Lancet, fala a respeito sobre o aconselhamento psicológico para pacientes, familiares em quarentena. As pesquisas sobre intervenções em crises psicológicas começaram recentemente, durante a epidemia de SARS, vários canais de atendimento foram disponibilizados para a população, como forma de aconselhamento psicológico, mas a organização e o gerenciamento não foram bem elaborado e apresentou vários problemas.

 Devido a escassez de profissionais habilitados para intervenção psicológica; as equipes foram formadas por psicólogos, enfermeiros, voluntários ou professores com formação em psicologia, sem a presença de psicólogos e psiquiatras experientes. Estudos feitos confirmaram que indivíduos que passaram por situações de emergência pública, apresenta agravos em sua saúde mental com graus variados de transtorno de estresse, mesmo após o evento. O artigo ainda enfatiza a importância do treinamento de profissionais de saúde mental, em todos os níveis, para que sejam capazes de lidar com problemas que afetam a saúde mental como crise, luto, lesões pessoais ou familiares, circunstâncias com risco de vida, pânico, separação da família e baixa renda familiar.

Em um momento complicado tudo começa a mudar, a começar pela política de oferta e demanda, já causa pânico nas pessoas, mercados lotados, a procura para estocar alimento cresce, os preços do produto que esta sendo mais consumido sobem devido a  política de oferta e demanda entre vários outros problemas como mostra  a revista  East Asian Arch Psychiatry. A importância de um acompanhamento psicológico para prevenção de comportamentos compulsivos e tendências suicidas. Com restrições da sociedade em ficar em casa em quarentena pode afetar a saúde mental da população, pois o isolamento social pode levar a consequências, tal como o dobro de risco do aumento do peso, afetando a saúde mental e o seu bem-estar físico levando para uma depressão.

A variabilidade da frequência cardíaca, sintoma comum do isolamento social, aumenta o risco de desenvolvimento de problemas de saúde – disse Jean-Philippe Gouin, professor de Psicologia da Universidade de Concórdia, no Canadá.

Sabemos que o isolamento faz mal, e em tempos de pandemias que muda a rotina de nossas vidas, viver em quarentena proporciona o tédio e a solidão, e com isso, o excesso de informações aumenta o medo pelos números de pessoas infectadas, a incerteza do futuro, ou ate mesmo um familiar infectado pode ser ainda mais traumático, esses sentimentos e sintomas de sofrimento psíquico podem levar a transtornos de ansiedade, ataques de pânico, depressão, agitação psicomotora, delírio e suicídio.

No Brasil a um plano de quarentena do governo, disponível no site do Ministério da Saúde, indica uma equipe multiprofissional de assistência psicossocial à disposição para atuar na saúde  mental, visando combater   o sofrimento psíquico e prevenir o transtorno de estresse pós-traumático.

A OMS divulgou dicas para o cuidado com saúde mental durante a pandemia, a pressão o medo do risco de contaminação, isolamento e o estresse psicológico em cada nova notícia sobre o cobid-19 podem gerar agravos na saúde mental da população, segundo a OMS.

Algumas das dicas da OMS:

– Reduza a leitura ou o contato com notícias que podem causar ansiedade ou estresse.

– Evite formas errôneas de lidar com o estresse como o uso de tabaco, álcool ou outras drogas. A longo prazo, eles pioram o seu bem-estar físico e mental.

Mantenha todo o pessoal protegido de estresse crônico e de uma saúde mental precária para que possam desempenhar seu trabalho da melhor maneira. Certifique-se que a situação atual não terminará da noite para o dia e o seu papel é focar no longo prazo em vez de respostas de curto prazo para a crise.

– Mantenha as rotinas familiares sempre que possível e crie novas rotinas principalmente com as crianças em casa. Pense em atividades lúdicas e pedagógicas para fazer com elas. Sempre que possível, incentive as crianças a continuarem brincando e se sociabilizando com os outros, mesmo que somente na família por causa do distanciamento social no momento.

– Em estresses e crises é normal para a criança buscar mais os pais e exigirem mais deles. Fale com seus filhos sobre o covid-19 de forma honesta e apropriada à idade deles.  Se eles tiverem preocupações, o fato de falar sobre elas pode ajudar a baixar a ansiedade das crianças. Elas observam os pais, as emoções no ar e tiram daí seus mecanismos para lidar com as próprias emoções da melhor forma nesses momentos difíceis.

– Aprenda exercícios físicos simples para fazer em casa todos os dias durante o isolamento e a quarentena para não reduzir a mobilidade.

– Mantenha rotinas e tarefas regulares sempre que possível e crie novas num ambiente diferente. Entre elas atividades diárias, limpeza, canto, pinturas e outras.

– sempre que for Seguro, claro. Mantenha o contato com os entes queridos ainda que por telefone

– Durante esse período de estresse, esteja atento a seus sentimentos e demandas internas. Envolva-se com atividades saudáveis e aproveite para relaxar. O exercício constante, o sono regular e uma dieta balanceada ajudam. Mantenha tudo em perspectiva.  -Uma enxurrada constante de notícias sobre o surto pode levar qualquer um à ansiedade e ao estresse.  Siga as notícias confiáveis e evite boatos e “fake news” que vão somente causar mais desconforto e dissabor.

Referências Bibliográficas:

PLANO DE PREPARAÇÃO PARA PANDEMIA DE INFLUENZA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Conquistas do SUS no enfrentamento das doenças transmissíveishttp://www.scielo.br/pdf/csc/v23n6/1413-8123-csc-23-06-1819.pdf

https://www.mises.org.br/article/3229/coronavirus-um-caso-raro-de-choque-de-oferta-e-de-demanda–e-suas-possiveis-consequencias-nefastas

http://filosofiaetecnologia.blogspot.com/2009/04/

https://www.thelancet.com/journals/lanpsy/article/PIIS2215-0366(20)30073-0/fulltext

http://www.engeplus.com.br/noticia/geral/2020/143509-a-saude-mental-em-tempo-de-coronavirus

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/da-peste-bubonica-a-gripe-espanhola-conheca-algumas-das-piores-quarentenas-da-historia.phtml

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