A Importância da Afetividade na Infância

Você já parou para pensar como você reage em meio a uma abordagem onde você se sente desvalorizado, rebaixado ou até mesmo mal compreendido? Já observou que palavras e posicionamentos têm o poder de alavancar nossa moral ou mesmo nossa autoestima e da mesma forma têm o poder de nós colocar para baixo a tirar toda nossa energia?

E desse jeitinho mesmo, temos a tendência de potencializar os maus momentos e nem sempre os bons momentos são tão valorizados como deveria. Em meio a este questionamento o que podemos dizer é que todos nós temos momentos bons e ruins. A dia escuros e dias de sol claro para todos nos, e isso é fato. O que devemos entender que independente de qualquer coisa não estamos isentos quanto aos maus momentos é que precisamos aprender a lidar com as adversidades, as perdas e os momentos difíceis.

Analisando todas essas questões percebemos a importância da afetividade. A afetividade é o que estimula nossas ações, atitudes, decisões e traz direcionamentos e metas na vida de cada um de nós. É bem verdade que na correria do dia a dia nem sempre é fácil encontrar alguém que nos disponibilize a atenção, o carinho e o tempo necessário para ouvir nossos desabafos. É nesse momento que a reflexão e a auto-análise, pode contribuir de forma positiva para novas ações.

Segundo Henri Wallon (1879-1962) a afetividade é fundamental para o desenvolvimento. Nossas emoções podem nos levar a boas ou más reações, em meio a situações ruins. Segundo Wallon a criança nasce com recursos biologicos que lhe dão a capacidade de se desenvolver, todavia, é o meio que vai lhe fornecer possibilidades para que as potencialidades orgânicas se desenvolvam.

É a afetividade que recebemos que dá um colorido mais bonito em nossas vidas. A mãe que recebe seu filho com carinho, o pai que acalenta o filho na hora da dor, a presença dos avós, amigos e parentes próximos, a palavra dita na hora certa, o perdão em meio as falhas o estímulo nos momentos de dificuldade. essas questões contribuem para nossos sonhos, projectos, pensamentos, expectativas e ações. Como diz Bader Sawaya: ” O homem se afirma no mundo objetivo, não só no ato do pensar, mas com todos os sentimentos, até com os sentidos mentais (vontade, amor e emoção).

Segundo Wallon a afetividade está presente em todas as fases da vida, e podem ser exteriorizada de três formas

  • Emoção é a primeira forma da afetividade, e normalmente não é controlada pela razão. Pode ser expressa em meio a fala, quando uma criança pequena ouve a voz da mãe e se manifesta chorando ou sorrindo, é possível ver através de tal ação a necessidade de carinho e aceitação. Por isso, é a dimensão que ganha mais destaque na obra de Wallon. As primeiras relações são determinantes na vida das pessoas. A criança começa a escolher pessoas significativas que funcionam como modelo onde ele irá usar como referência.
  • Sentimento é a forma de expressão que já tem ligação com o cognitivo. Se trata de reações mais pensadas e menos instintivas. A pessoa têm consciência que está sentindo determinado sentimento e sabe o porquê, entretanto não é algo incontrolável . É inteiramente psicológico e consciente.
  • Movimento É a forma como as crianças expressam sentimentos e emoções por isso se mover para a criança é um instrumento de aprendizado, socialização e comunicação consigo com o meio e outras pessoas.
  • Formação do Eu Descobrir e reconhecer o eu, depende da relação com outra ou outras pessoas. As manipulações, dependências, negações, e imitações e sedução, para o convencimento e interação com o outro fazem parte das descobertas e da separação do que é a vontade do meio social e como cada um se vê.

Nisso compreendemos que a afetividade está ligada não apenas as questões de amor e carinho, pois Wallon considerou que somos afetados pelo meio que vivemos e experiências que passamos e como tudo isso nos afeta de forma positiva ou negativamente. É bem verdade que Piaget e Vygotsky realizaram estudos a respeito da afetividade mais foi Wallon que aprofundou seus estudos a respeito deste tema.

Podemos entender que todas as experiências vividas na infância contribuem para a formação do nosso eu. Segundo Wallon o desenvolvimento humano acontece em cinco estágios, sendo eles:

  • Impulso emocional – ( de 0 a 1 ano) Onde o sujeito revela sua afetividade por meio de movimentos, no toque e em uma comunicação não verbal.
  • Sensório Motor e Projetivo – ( de 1 a três anos) a criança já fala e anda, tendo o seu interesse voltado para os objetos, para o exterior, para a exploração do meio.
  • Personalismo – ( de 3 a 6 anos) fase da diferenciação, da formação do “” da descoberta do ser diferente do “outro”.
  • Categoria – ( de 6 a 10 anos) organização do mundo em categorias leva a um melhor entendimento das diferenças entre o eu e o outro.
  • Puberdade e adolescência – ( 11 anos em diante) É o início dos conflitos entre o eu e o outro. Agora o indivíduo quer autonomia, liberdade e conhecer seus próprios limites. Agora o indivíduo se reconhece é capaz de identificar seus valores, sentimentos e responsabilidades.

Entendemos que Contribuir com a construção do eu do indivíduo durante a infância é compromisso de todos nós.

A afetividade na família – Fica clara a importância da família no desenvolvimento da criança, como dito por Wallon o ambiente , as tendências hereditárias, as ações de encorajamento, atenção e valorização são fatores que contribuíram para o desenvolvimento do indivíduo. A afetividade na escola – Pode ocorrer que a criança chegue na escola com possíveis dificuldades comportamental, social, transtornos entre outras questões que podem afetar o processo de ensino e aprendizagem, nesse caso será necessário realizar uma sondagem a fim de analisar e identificar quais são as dificuldades e de como devem serem trabalhadas, será necessário uma abordagem específica?, metodologias diferentes? recursos?, a parceria com uma psicopedagoga?. Todavia será algo avaliado junto a equipe pedagógica da escola. O olhar do professor será um contribuinte para o sucesso do aluno.

Em meio a nosso discurso foi possível entender que Wallon deu importância a afetividade na infância, há construção do eu e do reforço positivo que nós pais, família, escola e sociedade devemos fornecer as nossas crianças fazendo que seja possível os tórna-los indivíduos autônomos, independentes e seguros para lidar com as adversidades . Saber lidar com as ações externas é imprescindível para lidar com as frustrações e dificuldades, mas a afeição e a certeza do porto seguro e às boas relações forneceram a força necessária para a superação.

Este livro aborda a questão da afetividade no cotidiano escolar, apresentando pesquisas que se apoiaram na teoria de desenvolvimento de Henri Wallon. O que essas pesquisas revelam: em todos os níveis de ensino, do Fundamental ao Superior, alunos e professores se expressam por inteiro com cognições, sentimentos e movimentos o processo ensino-aprendizagem se enriquece na medida em que considera a integração cognitiva-afetiva-motora ao aceitar essa integração

Referências Bibliográficas:

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