A Aprendizagem na Terceira Idade

Envelhecer não é algo  simples, pois são inúmeros os desafios que os idosos enfrentam. Mudanças nos aspectos biológicos, sociais e  psicológicos estão entre os desafios da pessoa idosa, todos essas questões requer cuidados, do estado, da família e da sociedade

É imprescindível que seja preservado à  autonomia do idoso e fornecer a ele os meios necessários para envelhecer com saúde e bem estar. Entre tantos desafios que o idoso enfrenta podemos citar alguns problemas de saúde tal como: 

  • Os problemas de vista, como a: presbiopia, glaucoma, Degeneração macular, catarata, retinopatias, buraco de  mácula, blefarite, moscas volantes e a síndrome de olho seco.
  • Doenças cardiovasculares.
  • Derrames.
  • Câncer
  • Pneumonia 
  • Enfisema e Bronquite Crônica.
  • Infecção urinária.
  • Osteoporose  entre outras.

E como não fosse o bastante, existem as questões familiares, sociais e profissionais. A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) define envelhecimento como processo, irreversível, universal, não patológico,  de deterioração de um organismo maduro, próprio a todos os membros de uma espécie, de maneira que o tempo o torne capaz de fazer frente ao estresse do meio-ambiente e, portanto, aumente sua possibilidade de morte.

Entretanto, o  processo que ocorre devido a idade, não deve se tornar um obstáculo  para a realização de seus projetos de vida.

A realização pessoal é fundamental a todos nós, se capacitar para construir e alcançar seus sonhos  deve ser algo acessível a todos. O retorno ao mercado de trabalho, ser valorizado, respeitado, aprender coisas novas  é algo que traz estímulo e alegria para todo o indivíduo; e com o idoso isso não é diferente, dar a ele oportunidade de criar e alcançar seus  projetos lhe proporciona sentido na vida, possibilitando o sentimento de bem estar e produtividade, e isso é formidável, tanto no aspecto emocional como psicológico.

A realização de políticas públicas que cuide de nossos idosos são fundamentais. Todavia essa responsabilidade cabe a toda a sociedade. O artigo 3º do Estatuto do idoso afirma que é “direito da família, da comunidade, da sociedade e do poder público, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação,à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho  à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar.”

Conforme estatuto do idoso ( lei 10741/03), a pessoa  é considerada idoso, com 60 anos ou mais. A lei prevê no capítulo V, nos artigos 20 e 25, o acesso à educação, com adequação de currículos, metodologias e materiais didáticos, como programas educacionais voltados a esta população e a criação de universidades para a terceira idade.

Tendo em vista os direitos dos idosos quanto  ao direito à educação queremos discorrer nos aspectos relacionados à aprendizagem no período da terceira idade.

Independente das dificuldades, idade ou necessidade especial, todos possuem capacidade de aprender.

O idoso é capaz de aprender, pois o ser humano aprende até a morte, e, como aprendiz, ele pode viver melhor participando em grupo, de sua própria aprendizagem e da construção da aprendizagem dos outros, com dignidade, autoestima elevada, auto confiança recuperada ou afirmada na busca constante de sua completude. ( Pereira e Serra, p. 13, 2014)

Estar aberto a novas experiências é fundamental para se manter ativo. tal como a disposição para a quebra de velhos paradigmas e discriminação. Para o idoso que deseja voltar aos estudos, realizar um  curso ou aprender um novo idioma, deve ter como objetivo olhar para a meta é ouvir a voz daquilo que o estimula; eliminar pensamentos contrários é obrigatório, pois independente das dificuldade que cada um possui, sempre haverá pessoas ou situações que querem tirar o foco daquilo que se deseja.

Algumas verificações para o ensino  com idosos devem ser considerados, tal como metodologia, recursos, investigação do contexto de cada aluno, como: vida familiar, problemas de saúde,  aspectos emocionais, sedentarismo, capacidade de concentração e memorização. Tais verificações têm como objetivo proporcionar não apenas a aprendizagem formal mais também trabalhar seu bem estar, tanto  emocional e psicológico .

A Psicopedagogia e a Aprendizagem da Terceira Idade

A psicopedagogia na terceira idade contribui para o entendimento das emoções e reflexões geradas pelos conflitos nesta etapa da vida.

O trabalho voltado para os idosos consiste na construção de vínculos, interação social, afetividade, construção da autoestima, aceitação, atividades de concentração, trabalhar a memoria e estimulo.

A psicopedagogia é um campo de atuação em educação e saúde que se ocupa do processo de aprendizagem, considerando o sujeito a família, a escola, a sociedade e o contexto sócio-historio, utilizando procedimentos próprios, fundamenta-se em diferentes referenciais teóricos ( ABPP, 2011).

A atuação do psicopedagogo com este público ocorre em conjunto com uma equipe multidisciplinar, sendo eles composto de psicólogos, neurologista, psicanalista, pedagogia entre outros. A atuação de todos esses profissionais visa identificar a melhor proposta para a aprendizagem dos idosos, levando em consideração as dificuldades, os pontos frágeis e fortes de cada um.

No primeiro contato é realizado a anamnese, onde se coleta todas as informações do idoso , tendo como objetivo realizar um relatório da vida do idoso em todo seu contexto. Nas outras sessões de intervenção são utilizados ferramentas psicopedagógicas e pedagógicas, para estimular o processo de aprendizagem. O resultado das intervenções apresentam as seguintes informações :

  • Pedagógicos – através de exercícios de leitura ( ler e ouvir), escrita ( manual e digital), Cálculos, ( jogos e calculadora ), música, desenhos, computador.
  • Cognitivos – Estimular o cérebro para realizar atividades matemáticas, raciocínio lógico; realizar jogos ( xadrez, drama, trilha, memória e pesquisas na internet.
  • Aspectos afetivos e sociais – Valorizar seus conhecimentos e habilidades, trabalhar possíveis conflitos existentes ( como luto, perdas, problemas familiares, aposentadoria, ausência de autonomia financeira e de locomoção,ausência de memória e ausência de familiares.
  • Relação familiar – Estimular as atividades familiares, como conversas, passeios, participação nas atividades do dia a dia e valorização da contribuição do idoso; e o fortalecimento de vínculos.

Mediante a tantas mudanças que ocorrem na vida do individuo no processo de envelhecimento a presença da família é fundamental é com ela que ele se senti acolhido, amado e valorizado.


Mediante a tantas mudanças que ocorrem na vida do individuo no processo de envelhecimento a presença da família é fundamental é com ela que ele se senti acolhido, amado e valorizado.

A leitura é fundamental para o idoso pois contribui para  manter a atividade mental, recebendo estímulos constantes , colabora para a memorização, concentração e assimilação de novos conhecimentos. Além  de evitar ou retardar o aparecimento ou a progressão de doenças neurológicas degenerativas, como o Alzheimer

A interação social gera bem estar para o idoso, ajuda na construção de laços afetivos, melhora o bem estar emocional e mental, ajuda no funcionamento físico, na autoestima, no convívio e na aceitação pessoal.

O trabalho contribui para o idoso sendo ele aposentado ou não a continuar se sentindo ativo e produtivo, ajuda a dar sentido na vida e torna possibilita uma melhor qualidade de vida.

As atividades lúdicas, como música, teatro pintura entre outras traz a contribuição no aspecto da saúde mental aos idosos. Os benefícios se refletem no convívio social, alivio de stress, colabora com a autonomia e autoestima.

A prática da atividade física é preciosa na vida das pessoas de todas as idades, especialmente para os idosos, é fundamental para a manutenção da saúde, da flexibilidade, longevidade, contribui na redução de dor e sintomas de doenças físicas.

Portanto, envelhecer não pode ser visto como fim de metas, sonhos e projetos. A recreação, o trabalho, a família e construir novos saberes é algo possível em qualquer fase da vida.

Referências Bibliográficas: