A Dor do Outro

Vivemos em um contexto atual em que os valores têm sido distorcidos, gentilezas, gratidão, amizades e atitudes de solidariedade não é vista com tanta frequência. Ao longo do tempo foi possível identificar que o “eu” predomina, pois a necessidade de se estar bem, nem sempre vem acompanhada com o desejo de ver o outro bem.

Todas essas questões são preocupantes, pois é a partir desta ótica que faz o individuo ser tornar individualista, onde sua maior preocupação é seu próprio bem estar. Mais o que fazer? Como mudar uma situação implantada pela mídia, pelos programas que incentivam a disputa a preocupação com o lucro e em se tornar popular?

Por mais difícil que seja não devemos perder a fé, é necessário acreditarmos em mudanças, ainda que alguns digam que a tendência é piorar. E para que elas ocorra deve-se começar por mudar a mentalidade e por sua vez também a atitude. É através desta nova postura que se torna possível um novo cenário; e ele se inicia dentro do lar, no local onde trabalhamos, estudamos e passamos boa parte de nossas vidas.

Podemos começar construindo em nossos filhos, netos, alunos e comunidade em que vivemos uma mentalidade onde o ser seja mais importante que o ter, onde todas as pessoas têm o seu valor, e que cada um de nós temos como tornar o mundo um lugar melhor. Pode parecer um pouco romantizado, mais na verdade esse mundo começa dentro da sua casa, na sua sala de aula e no convívio com outras pessoas.

Mais como fazer? Em nossas crianças é imprescindível que comece cedo, pois isto resultará em adultos melhores, mais equilibrados e humanos. Podemos iniciar essas mudanças trabalhando as emoções e sempre tendo consciência que cada um têm sua função nesse processo: família, escola, comunidade, sociedade.

Para o ser humano se tornar uma pessoa amorosa, cuidadosa e flexível, é necessário entender o seu lugar e o lugar do outro no mundo. Para entender o sofrimento do outro e se colocar no lugar é necessário desenvolver a empatia. Mais o que acontece na realidade é que aprendemos a longo prazo que cada um deve cuidar de si mesmo .

Trabalhar com as emoções contribui para aprendermos a lidar com os conflitos e confrontos que ocorrem em nosso dia a dia e isso pode ser aprendido na infância. Compreender o outro, saber se colocar em seu lugar reconhecer suas necessidades e dificuldade, perceber o estado de espírito de cada um, contribui para o desenvolvimento pessoal. Se colocar no lugar do outro é algo que pode ser aprendido.

COMO TRABALHAR ESSAS QUESTÕES ?

  • Realizar brincadeiras e jogos é uma ótima forma de se começar a trabalhar essas questões, aprender que nem sempre dá para ficar no comando é algo que irá contribuir para as crianças mais controladoras entender que é preciso ouvir e passar a oportunidade para o outro.
  • Saber esperar, vai além de saber que cada um tem a oportunidade de participar, implica em compreender que cada um têm seu ritmo, suas dificuldades e sua forma de lidar com as emoções e questões que lhe são sugeridas.
  • Sempre que possível coloque crianças com habilidades opostas e proponha uma atividade onde será necessário a interação entre elas e que cada um perceba que cada um têm habilidades diferentes mais que todos são importantes no processo.
  • Se socializar é fundamental, pois contribuirá para que a criança se desenvolva e aprenda a interagir. Essa socialização pode se dar através de brincadeiras como danças, jogos, dinâmicas, sendo que todas elas devem ter como regra a participação de todos. Caso necessário seja o mediador das atividades onde há oposição e dificuldade do entendimento que todos são importantes no processo.
  • Estimular aos filhos e aos alunos se alegrarem com as vitórias do outro, levando-o a comemorar os ganhos do grupo.
  • Estimular o respeito aos outros colegas que porventura não se destaque tanto em alguma atividade ou simplesmente não tenha condições para acompanhar o ritmo dos demais. Não permita que haja comentários maldosos e comparações.
  • Dê ênfase a atividades que proporcione a necessidade de um ajudar o outro.
  • Dê oportunidade para que elas se expressem mostrando os seus sentimentos, ideias, conflitos, realize comentários sobre o que mais gostam nas atividades apresentadas e o que não gostam, essa é uma ótimo momento de perceber se os objetivos estão sendo alcançados.
  • Proporcione uma experiência de sucesso onde todos foram bem sucedidos, comente, elogie, parabenize; isso vai estimular, trabalhar a autoestima e construir o entendimento que todos somos bons, mesmo tendo habilidades diferentes.
  • Apoiar as crianças quanto ao descobrir o seu lugar no mundo, construir sua autoestima, autonomia, confiança e se reconhecer em grupos como étnico – racial, religioso e regional.
  • Fortalecer os vínculos familiares e levá-las a identificar as heranças culturais e como elas influência em sua vida.
  • Incentivar a reflexão sobre como os colegas se sentem quando são criticados e como gostaria de sermos tratados quando não nos saímos bem em algo.
  • Realizar atividades onde cada um traga algo da sua cultura e regionalismo ( pode ocorrer que os menores não façam ideia de que trazer devido a isso é viável que você conheça o contexto de cada um para dar sugestões) A ideia é levar a turma a entender que todos somos diferentes e aprendemos as coisas de formas diferentes, mais todos devem serem respeitado com suas diferenças.
  • Faça vários bonecos de panos e dê a cada um deles nomes diferentes, cada um deve ter uma deficiência como a ausência de um membro, ser deficiente visual, auditivo entre outros; ( Dependendo do número de alunos em sala divida em grupos e cada boneco ficara em um grupo diferente; cada grupo deve ter um boneco. Nesta atividade cada grupo vai apresentar seu colega “Boneco” dizer o nome e falar para a turma sobre as suas limitação e que todos devemos ser amigos dele e ajudar no que for preciso) A ideia é a mesma da outra atividade, perceber que somos diferentes e que devemos respeitar a individualidade de cada um.

Com certeza crianças que aprendem desde de cedo que devemos ser solidários, e que cada um possui seus limites, entendem que cada um tem sua forma de lidar com as suas dificuldades e que isto deve ser respeitado.

Todas as propostas aqui mencionadas favorece para a construção de uma sociedade mais justa e harmônica . Nosso compromisso em contribuir deve ser feito tendo a consciência da nossa participação em intervir, conversar e ensinar a ter afeto e respeito pelo outro e isso se constrói a longo prazo.

Referências Bibliográficas

BNCC na Educação Infantil Dísponivel em: file:///C:/Users/Hellen/Downloads/camposdeexperiencias_interativo_final.pf
Base Nacional Comum Curricular Educação é a Base Disponivel em: https://drive.google.com/drive/my-drive
Campo de Experiências Efetivando Direitos e Aprendizagens Na Educação Infantil Fundação Santillana Movimento Pela Base Nacional Comum Disponivel em : https://drive.google.com/drive/my-drive
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